Após quatro dias como foragido, Eike Batista é preso no aeroporto do Rio

O empresário chegou ao presídio Bandeira Estampa no Complexo de Bangu, início da tarde do dia 30, já de cabelo raspado

Do jato particular com o qual voava para Nova Iorque para a classe executiva para Bangu 9 Eike Batista levou menos de dez anos. O ex-bilionário preso pela Lava Jato divide agora uma cela com outros seis presos pela maior operação anti-corrupção da história do Brasil.

O empresário chegou ao presídio Bandeira Estampa no Complexo de Bangu, início da tarde do dia 30, já de cabelo raspado.

Bangu 9 tem capacidade para 541 presos e abriga 422. São contraventores, suspeitos de envolvimento com a milícia e quem não têm ligação com facções criminosas.

Como não tem curso superior, Eike Batista divide a cela com outras seis pessoas, todas presas em fases anteriores da Lava Jato.

As celas têm 15 metros quadrados, com 3 beliches de concreto, sem vaso sanitário, só um buraco no chão que serve de banheiro e um cano com água fria para o banho.

No mesmo complexo de presídios, está Sérgio Cabral, mas o ex-governador do Rio fica em Bangu 8, para onde vão os detentos com diploma universitário.

A transferência de Eike Batista para Bangu 9 foi determinada pela Secretaria de Administração Penitenciária do Rio, que admitiu não poder garantir a segurança dele no presídio Ary Franco.

Na chegada, o empresário foi hostilizado por moradores. A prisão de Eike Batista é preventiva. Ele vai prestar depoimento aos investigadores da Lava Jato na tarde dessa terça-feira (31), na sede da Polícia Federal no Rio.

O empresário é acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro e de ter pago ao ex-governador Sérgio Cabral propina de 16,5 milhões de dólares, cerca de R$ 52 milhões.

Eike chegou ao aeroporto JFK sozinho. Ele estava foragido desde quinta-feira (26), quando policiais federais foram até a casa dele, mas não conseguiram cumprir o mandado de prisão.

Poucas horas depois, o nome do empresário entrou na lista de foragidos da Interpol. O empresário disse que viajou a trabalho e que nunca pensou em fugir.

Eike Batista disse que fazia questão de voltar ao Brasil para esclarecer os fatos e deu indícios de que poderia fazer uma delação. No ano passado, Eike Batista se apresentou voluntariamente aos investigadores da Lava Jato em Curitiba e disse que não era da cultura das empresas dele pagar propina.

Os investigadores da Lava Jato no Rio dizem que o dinheiro pago a Sérgio Cabral saiu da conta de uma das empresas de Eike Batista no Panamá. Para justificar a transferência, foi feito um contrato falso da venda de uma mina de ouro, que agora descobriu-se, fica na Colômbia, segundo o próprio empresário.

No voo 973 da American Airlines, Eike Batista viajou de classe executiva. Sentou em uma poltrona ao lado da porta, não jantou, tomou dois copos de leite e um comprimido que disse ser para o estômago e dormiu.

O avião pousou no Galeão às 9h54. Eike Batista desembarcou antes de todo mundo, ao lado de policiais. Estava sem algemas, carregando um travesseiro e uma pequena mala. Do Galeão foi ao IML, onde fez exame de corpo de delito. Os últimos passos antes da cadeia daquele que já foi o sétimo homem mais rico do mundo.