Marcelo Odebrecht depõe hoje em processo que pede cassação da chapa Dilma-Temer

Herdeiro deverá prestar esclarecimentos a partir das 14h30 no TRE-PR em Curitiba

O herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, depõe nesta quarta-feira (1º) pela primeira vez à Justiça Eleitoral no processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer — eleita na disputa presidencial de 2014.

Entre outros esclarecimentos, Odebrecht poderá confirmar se a construtora repassou propina à campanha petista em 2014.

O depoimento de Odebrecht será tomado pelo ministro corregedor-geral do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Herman Benjamin, relator da Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral).

Na quinta-feira (2), é a vez das oitivas de Benedito Barbosa da Silva Junior e Fernando Reis, a serem realizadas no TRF (Tribunal Regional Federal) do Rio de Janeiro.

Na segunda-feira (6), serão ouvidos Cláudio Melo Filho e Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, a partir das 17h, na sede do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em Brasília.

Todos os depoimentos não serão disponibilizados à imprensa.

Suposta propina

Em dezembro de 2016, delações premiadas de executivos e ex-funcionários da Odebrecht à força-tarefa da Lava Jato apontaram que a chapa da presidente cassada Dilma Rousseff e do presidente Michel Temer recebeu dinheiro de caixa 2 na campanha de 2014.

Os relatos, já documentados por escrito e gravados em vídeo, foram feitos durante os depoimentos de executivos ao Ministério Público Federal.

Em pelo menos um depoimento, a Odebrecht descreve uma doação ilegal de cerca de R$ 30 milhões paga no Brasil — para a coligação “Com a Força do Povo”, que reelegeu Dilma e Temer em outubro de 2014. O valor representa cerca de 10% do total arrecadado oficialmente pela campanha.

Pouco antes, em abril de 2016, a ministra relatora do caso no TSE, Maria Thereza de Assis Moura, havia autorizado o início da colheita de provas para a ação proposta pelo PSDB que investiga se houve abuso de poder político e econômico pela campanha vencedora, composta pela chapa PT-PMDB, nas eleições presidenciais de 2014.

Na hipótese de ambos serem cassados, o próximo na linha sucessória é o presidente da Câmara dos Deputados, cargo ocupado por Rodrigo Maia (DEM-RJ).