Manifestantes lotam a Paulista contra reforma da Previdência

Segundo a CUT (Central Única dos Trabalhadores), 250 mil pessoas estiveram no ato

A manifestação convocada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) levou, segundo a organização, 250 mil pessoas à Avenida Paulista em protesto contra a reforma da Previdência, enviada pelo governo Temer ao Congresso em dezembro de 2016. A Polícia Militar não divulgou a estimativa de público.

O tom ordeiro permitiu a convivência entre pessoas com camisetas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) — um dos símbolos das manifestações pró-impeachment —, com membros da CUT, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e mais dezenas de movimentos sociais, sindicatos e associações ligadas à esquerda.

O protesto foi marcado também pelo baixo efetivo policial entre os manifestantes. Um contingente foi observado em frente o Parque Trianon e mais alguns grupos nos arredores. Segundo a PM, 1.000 policiais estavam no local.

O ato, que não saiu da Avenida Paulista, começou por volta das 16h e teve seu ponto alto no discurso de Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente chegou ao local pouco antes das 19h e começou o seu discurso, bastante enérgico, cerca de 30 minutos depois.

Lula começou sua fala enaltecendo o protesto feito pelos professores e fez severas críticas ao presidente Michel Temer e sua articulação política. “Toda essa força está predestinada a tentar colocar goela abaixo da sociedade brasileira uma reforma da aposentaria que vai praticamente fazer com que milhões e milhões de brasileiros não consigam se aposentar, vai fazer com que os trabalhadores mais pobres, sobretudo os rurais no Nordeste, passem a receber metade de um salário mínimo sem ter noção do que esses trabalhadores representam para a economia das pequenas cidades desse País.”

O ex-presidente mandou ainda um recado ao ministro da Fazendo, Henrique Meirelles, e novamente fala de Michel Temer. “Eu queria que o Meirelles e o Temer ouvissem o recado de vocês. A Previdência tem problema? Tem. Quer resolver? Em vez de fazer a reforma, faça a economia voltar a crescer, a gerar emprego, aumenta os salários e a receita vai voltar a crescer”. Lula falou ainda das classes mais pobres  “Tenho dito todo santo dia que o pobre não é o problema deste País. Quando a gente conseguiu incluir o pobre no orçamento da União, o pobre passou a ser a solução.”

Em pouco mais de oito minutos, Lula fez ataques ao atual governo, inflamou o público e desceu do carro de som afirmando que estará na Paraíba visitando obras da transposição do Rio São Francisco.

Antes das 20h, as pessoas começaram a se dispersar de forma pacífica tanto no sentido Paraíso quanto no Consolação.

A Polícia Militar informou que um grupo de mascarados soltaram rojões contra policiais militares e tentaram interditar o túnel 9 de Julho.