PF faz maior operação da história e cumpre 309 mandados contra quadrilha que adulterava comida

Cerca de 1.100 policiais fazem diligências em sete Estados. Há 38 pedidos de prisão

A PF (Polícia Federal) está nas ruas do País nesta sexta-feira (17) para cumprir a maior operação da história da corporação. Chamada de “Carne Fraca”, a ação mira a venda de alimentos adulterados e conta com a atuação de 1.100 agentes federais.

Eles cumprem 309 mandados judiciais em sete Estados brasileiros: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. Entre os alvos da PF, estariam executivos dos frigoríficos JBS, da BRF e da Seara.

Expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), as ordens judiciais estão assim divividas: 38 de prisão (27 preventivas e 11 temporárias), 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em casas e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao grupo criminoso.

Após quase dois anos, as investigações identificaram uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.

Os agentes públicos suspeitos pertencem às Superintêndencias Regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás e atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público.

 O esquema

De acordo com a PF, agentes públicos se utilizavam do poder de fiscalização do cargo e cobravam propina para facilitar a produção de alimentos adulterados. Em troca, emitiam certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.

Os agentes são suspeitos de desvio de finalidade, conduta que permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente, de acordo com a PF.

A PF informou que o nome da operação é uma referência à expressão popular em sintonia com a própria qualidade dos alimentos fornecidos ao consumidor por grandes grupos corporativos do ramo alimentício.

A expressão popular demonstra uma fragilidade moral de agentes públicos federais que deveriam zelar e fiscalizar a qualidade dos alimentos fornecidos a sociedade.