Quatro em cada dez brasileiros dizem ter vida financeira ruim

Consumidores com dificuldades relatam orçamento apertado e desemprego como vilões

A queda da atividade econômica e o alto índice de desemprego influenciam diretamente na vida e confiança dos brasileiros. Em uma escala de zero a 100, o ICC (Indicador de Confiança do Consumidor), baseado em avaliações sobre a economia e da própria vida financeira, registrou 41,4 pontos em fevereiro de 2017. O resultado reflete a má avaliação da economia.

De acordo com o índice, medido pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas), quatro em cada dez consumidores (42%) brasileiros classificam a própria vida financeira como ruim ou muito ruim.

Os que a consideram a situação econômica como regular somaram 41%, enquanto 15% a avaliam como boa ou muito boa. Os principais motivos para a percepção negativa são orçamento apertado e dificuldades para pagar as contas (33%), desemprego (31%) e atraso no pagamento de dívidas (15%).

Com relação à economia, 82% dos entrevistados dizem acreditar que a situação está ruim ou muito ruim, contra somente 3% que consideram a situação boa ou muito boa. Para 14%, o quadro econômico atual é regular. Entre os que fazem uma avaliação negativa, a maioria relativa (49%) atribui este resultado à corrupção e ao mau uso dos recursos públicos. Outros 27% creditam ao alto desemprego e 15% disseram que os preços dos produtos aumentaram.

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, afirma que “a percepção quase unânime de que a economia vai mal é reflexo de dois anos seguidos de recessão econômica”.

— Mesmo quem não foi atingido diretamente pela crise tem conhecimento das más notícias do cenário econômico e é por isso que a percepção de deterioração da economia é mais acentuada do que a da vida financeira.

Apesar de o momento atual estar sendo visto com desconfiança, as expectativas futuras somaram 53,1 pontos em fevereiro, pouco menor dos 54,2 pontos registrados em janeiro. O que contribuiu com o dado levemente acima do nível neutro foram as perspectivas sobre a própria vida financeira, que marcaram 61,9 pontos. Quando se trata da economia em geral, o indicador marcou 44,3 pontos, mostrando que os consumidores estão um pouco pessimistas.

A maioria relativa dos entrevistados (39%) diz não estar nem otimista nem pessimista com o futuro da economia. Os pessimistas são 37% e os otimistas 21%. Entre os que estão pessimistas, o principal motivo apontado é a corrupção, incompetência dos governantes e impunidade dos políticos (49%), seguido daqueles que acreditam que o desemprego segue aumentando (25%) e os que imaginam que a inflação não será controlada e continuará subindo (8%).

Entre os otimistas, a maior parte (40%) não sabe o porquê confiar que a economia vai melhorar, 21% acreditam que a pior parte já passou e 11% concordam com as medidas econômicas que estão sendo adotadas.

Com relação às expectativas para a própria vida financeira, a maioria (56%) afirma está otimista. Outros 26% não estão nem pessimistas nem otimistas e 14% estão pessimistas quando se trata do futuro. Entre os otimistas, o principal motivo é acreditar em arrumar novo emprego ou receber uma promoção (31%), seguido daqueles que não sabem explicar a razão do otimismo (29%), 12% que apostam em uma melhora da economia e 10% que garantem estar fazendo boa gestão das finanças pessoais.

Já entre os pessimistas, os principais motivos apontados são: descrença na melhora da economia (27%), situação financeira atual estar muito ruim (20%), preço das coisas continua aumentando (19%) e medo do desemprego (11%).

Custo de vida

O indicador também revelou que o mau momento da economia reflete-se de várias maneiras na vida dos brasileiros. O que mais tem pesado, no entanto, é o custo de vida, mencionado por 53% dos entrevistados. O dado é reflexo do recuo da inflação ao longo dos últimos meses.

O desemprego, que atinge quase 13 milhões de pessoas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi mencionado por 21% dos entrevistados, o endividamento por 11% e a queda da renda por 10%. Somente 4% disseram que nada pesa no orçamento familiar. Ainda de acordo com o levantamento, 47% dos entrevistados afirmam ter pelo menos um desempregado em casa, sendo que 21% moram com pelo menos duas pessoas nessa condição.

Na opinião dos entrevistados, o que contribui para o alto custo de vida é principalmente o aumento nos preços do supermercado (64%), aumento na conta de luz (58%) e na telefonia (38%).