Vovós conectadas provam que nunca é tarde para aprender

Saiba como elas conseguiram descobrir um novo mundo na "melhor idade"

Esqueça aquela imagem da vovó sentada na cadeira de balanço tricotando casaquinhos. Com o aumento da expectativa de vida, as representantes da “melhor idade” permanecem ativas e decisivas no mercado de trabalho.

Para acompanhar esse ritmo acelerado e interagir cada vez mais com a família e amigos, os avós modernos têm usado e abusado da tecnologia. Mas é bom deixar claro que a macarronada de domingo ainda é insubstituível.

Navegar é preciso!

A inclusão digital da professora mediadora de alunos especiais, Libânia da Conceição Gutierrez Benito, 67, aconteceu pouco depois da chegada da internet no Brasil. Na época, os filhos e netos inverteram os papéis e encararam a missão de ensinar a educadora a navegar.

Acreditei no meu potencial para dominar ferramentas importantes e hoje estou conectada. Sou ativa nas redes sociais e faço parte de grupos da família, do trabalho, de terapias e de cursos.

A oportunidade de aprender trouxe novo “gás” para vida da professora, que reconhece o quanto a tecnologia a aproximou da família.

— Eu posso conversar com os meus filhos e netos a qualquer momento pelo celular. Agora, ninguém diz que está sem tempo, basta enviar uma mensagem e pronto! Já não consigo viver sem a tecnologia que tanto me aproximou deles. Tenho muito a agradecer aos meus netos, sem eles eu não teria conseguido ficar tão atualizada.

A vovó é pioneira

Aos 86 anos, a artista plástica Maria Eugénia G. Tabosa Dias é considerada heavy user quando o assunto é tecnologia.

— Morava em Portugal e a possibilidade de usar a tecnologia para conversar com a família no Brasil era algo mágico. Isso me ajudou a suportar a ausência e a saudade. Tive a oportunidade de fazer parte da vida deles, dar conselhos e acompanhar o crescimento dos netos. Atualmente, moro no Brasil e uso as redes sociais para reencontrar amigos e acompanhar a rotina deles. Mas, é a conversa instantânea que realmente faz a diferença nos meus dias.

A vovó Eugénia conta com a ajuda dos netos para se manter antenada. São eles que apresentam as últimas novidades e a incentivam a fazer descobertas diárias.

— Difícil me imaginar nos dias de hoje sem computador, tablet e celular. Certamente ficaria como se me tirassem o chão e faltasse apoio, mas é claro que sobreviveria. Todos nós temos uma enorme capacidade de adaptação, mas nesse caso, confesso que andar para trás seria doloroso.

Aprovado pela geriatra

A médica geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Maisa Kairalla, lembra que o idoso ainda não é totalmente voltado para a tecnologia, embora essa nova realidade esteja cada vez mais presente na vida deles.

— Quando o idoso consegue se acertar com a tecnologia é maravilhoso, principalmente para a família, que tem a possibilidade de controlar cuidados, como o uso de medicação. Por outro lado, sempre reforço que é preciso gostar e que o uso de aplicativos ou uma simples pesquisa na internet não podem ser vistos como um problema. Navegar deve ser prazeroso!

A médica alerta sobre os inúmeros benefícios de estar conectado, já que envolve um conjunto de habilidades cognitivas e motoras, ajuda a evitar a solidão e também promove a integração. Mas todo cuidado é pouco na hora de fazer pesquisas e buscas, as dúvidas sobre doenças e possíveis sintomas só devem ser esclarecidas com um profissional habilitado!