Cidade em SP se une para terminar hospital de câncer com venda de artesanato e até leilão de gado

Mais de R$ 2 milhões já foram arrecadados em campanha na cidade de Catanduva (SP)

Perto de completar 100 anos (em 2018), a cidade de Catanduva, no interior do Estado de São Paulo, está alcançando outra marca importante: terminar um hospital com a mobilização da própria população. A campanha começou em fevereiro de 2016 quando faltavam R$ 5 milhões para a conclusão de um anexo de radioterapia, no Hospital Emílio Carlos, pertencente à Fundação Padre Albino, entidade filantrópica sediada no município, sem fins lucrativos.

Desde então foram arrecadados para o anexo R$ 2.226.629,20, a partir da iniciativa de cidadãos, entidades, sindicatos, associações e vários outros setores da sociedade civil. O objetivo era concluir a obra, que já contava com verbas federais (contribuindo com um acelerador linear) e estaduais, mas que ficaram restritas à parte inicial do projeto, cujo custo total é de R$ 15 milhões.

A partir de então, uma onda de voluntariado se avolumou sobre a cidade que, apesar de não ficar no litoral, se viu envolvida em um mar de solidariedade. Dentre os eventos que geraram recursos estão leilões de gado e chás beneficentes.

Um grupo de mulheres, denominado Colaboradoras do HCC (Hospital do Câncer de Catanduva, como o complexo ficou conhecido), se formou e, por meio da venda de artesanato – como imãs, mochilas e guirlandas de Natal – aproveitou iniciativas já existentes de empoderamento e contribuiu com uma parcela das verbas.

O funcionário da Fundação Padre Albino, Mauro Tadeu Assi, conta que a iniciativa irá fechar um ciclo de atendimento a pacientes com câncer na região.

— Já havia na Fundação Padre Albino a quimioterapia, o ambulatório de atendimento de oncologia e o setor de cirurgias. Só faltava a radioterapia, que deverá entrar em funcionamento a partir de 2018.

Aos eventos, se juntaram doações locais; doações por meio de um prefixo 0500; pagamento por meio da conta de luz; descontos na nota fiscal paulista e receita por telemarketing.

A ideia, segundo contou Assi, é futuramente envolver os próprios pacientes e familiares, que utilizam este centro já dotado com equipamentos modernos, a se engajar no projeto e ajudar os outros, também ajudando a si mesmos.

— Há a intenção de que eles passem a realizar esses trabalhos de artesanato para fazerem disso também uma terapia.

Essa essência terapêutica da solidariedade, aliás, vale para todos. E, quem sabe, fará o hospital prosperar como exemplo pelo menos até os próximos 100 anos.