Eliminada na Série D, Portuguesa vive pior momento de sua história e reflete penúria de clubes de tradição

Lusa não tem vaga garantida em nenhuma competição nacional em 2018

O fundo do poço parece não existir para a Portuguesa. Com a derrota para a Desportiva Ferroviária no domingo (25), a equipe paulista acabou eliminada da quarta divisão do Campeonato Brasileiro e amarga o pior momento de sua história.

O jogador Marcelinho Paraiba da Portuguesa durante partida entre Portuguesa SP e Desportiva ES, válida pela Série D do Campeonato Brasileiro 2017, no estádio do Canindé, em São Paulo (SP), neste domingo (21).

Com isso, a Lusa fica sem vaga garantida em torneios nacionais em 2018. A situação só muda se a equipe vencer a Copa Paulista, que começa na próxima semana e que dá ao clube campeão o direito de escolher entre uma vaga Série D ou na Copa do Brasil na próxima temporada.

Depois da derrota, o presidente da Portuguesa, Alexandre Barros, emitiu uma nota assumindo a responsabilidade por mais uma eliminação e pedindo desculpas à torcida pelos resultados recentes do clube.

“Fui o responsável direto pela montagem e remontagem dos elencos nas competições. Pelas trocas das comissões técnicas. Pelas contratações e dispensas de atletas. E por todo o plano de trabalho que se tornou ineficaz por minha incompetência nesse momento”, escreveu Barros.

A situação da Lusa reflete o momento de outros clubes de tradição do futebol brasileiro que, sem estrutura, recursos e uma gestão profissional, padecem em divisões de acesso pelo País e correm o risco de desaparecer.  Para os seus torcedores, os dias de glória não passam de esperanças perdidas.

Jabaquara: Um dos clubes fundadores da Federação Paulista de Futebol (FPF), o “primo pobre” do Santos viveu seu auge nos anos 1940 e 1950, quando revelou ao mundo o goleiro Gylmar dos Santos Neves. A última joia lapidada nos terrões do Jabuca foi o meia-atacante Geuvânio, recém-contratado pelo Flamengo. O clube está atualmente na segunda divisão do Campeonato Paulista (equivalente a série D estadual).

Nacional: Dias melhores vive o Nacional, atual campeão da A3 do Campeonato Paulista. O clube de 122 anos de história já foi um dos maiores celeiros de craques da capital, tendo revelado Rubens Minelli, Deco, Dodô e o pentacampeão Cafu.

Juventus: O Moleque Travesso passou por sua pior fase entre 2008 e 2009, quando acumulou dois rebaixamentos consecutivos e chegou a Série A3, a divisão mais baixa alcançada pela equipe em campeonatos paulistas na sua história. Atualmente o Moleque Travesso está na A2 e se prepara para a disputa da Copa Paulista em um bom momento. O time da Rua Javari é um dos xodós do futebol nacional e costuma ter casa cheia e festa com direito a canollis em todos os seus jogos.

Comercial: A péssima campanha na Série A3 deste ano rebaixou o time de Ribeirão Preto pela primeira vez em sua história para a quarta divisão do Campeonato Paulista. Sem competições profissionais para disputar no segundo semestre, o time só volta a atuar em abril de 2018.

São Cristóvão: Campeonato Carioca em 1926, o time que revelou Leônidas da Silva e Ronaldo Fenômeno entrou em decadência nos anos 2000 e atualmente padece na série B1 do Estadual onde coleciona sete derrotas seguidas.

Bangu: Assim como a Lusa, o Bangu também parou na primeira fase da Série D do Campeonato Brasileiro. Eliminado, só resta agora uma competição na temporada para o vice-campeão brasileiro de 1985: a Copa Rio. A equipe começa sua trajetória diante do Serrano, no próximo dia 12.

América-RJ: Fundado em 1904 e outrora considerado o quinto time grande do Rio de Janeiro, o sete vezes campeão estadual hoje é só uma sombra do passado na segunda divisão. O reflexo é visto em sua sede social, na Tijuca, abandonada desde a inauguração da nova casa do clube, longe do bairro onde o Ameriquinha nasceu.