Gordo vira modelo, dá lição de superação e incentiva os plus size

Com 118 quilos, Edu Rodrigues arrasa nas passarelas

Esqueça as histórias de gordos que perdem trocentos quilos, viram montanhas de músculos, e, só então, ganham espaço nas passarelas. Aos 26 anos, Edu Rodrigues provou que mesmo com seus 118 quilos era possível virar modelo e superar os obstáculos impostos pela gordofobia. Com uma trajetória tão comum a todos os que vivem “fora do padrões”, ele conseguiu reverter o isolamento e o preconceito com os quais conviveu desde criança. E tornou-se modelo plus size dos mais requisitados pelas marcas nacionais.

Há três meses, lançou um blog de moda masculina plus size, o Storm Size, e virou uma espécie de porta-voz dessa galera que está disposta a consumir moda e decidida a escolher o que vestir. Edu Rodrigues percebe que há uma mudança de mentalidade das empresas, que parecem ter descoberto o potencial de compra desses homens com manequim acima do 48.

— A gente só vestia o que cabia, mas a indústria começou a fazer roupas mais modernas, em outros estilos. Até muito pouco tempo, era só roupa casual, e sem nenhum apelo fashion. As fábricas e lojas estão fazendo roupas mais modernas, street, jeans, coisas básicas que não existiam pra gente.

Mas homem lá liga para essas coisas? Edu Rodrigues garante que sim. O público plus size masculino sofre da mesma frustração que acomete mulheres acima do peso.

— Eu tenho 26 anos, quando era adolescente queria usar o que estava na moda, mas nunca tinha nada, comprava o tamanho maior e ficava apertado. Todo mundo usando roupa da moda, marcas bacanas, e em mim nada cabia. Dá uma frustração. Tem vontade de usar e não consegue.

Curiosamente, a pressão por um “corpo ideal” sobre os homens plus size vem mais dos outros homens do que das mulheres.

— Acho que a mulher também sente muito essa pressão vinda do homem, e elas são mais inteligentes, conseguem te olhar para além do físico. O homem já te avalia e começa a pressionar, “pô, cara, você está gordo!”

Os esteriótipos da mída também colaboram para essa pressão. Edu aponta que nas novela, filmes, nunca houve um galã gordo.

— É sempre o gordinho engraçado ou o que sofre bullying, não tem um gordinho galã. Não é por causa do peso que não vai poder ser galã, ou ter sexy apeal. Não existe só o perfil engraçado.

O preconceito acaba levando vários ao isolamento e à depressão. Edu conta que até os 19 anos sofria com isso. Não tirava a camiseta na praia, morria de vergonha, não se achava digno de estar lá. Não jogava no time dos “sem camisa”, não frequentava o parque aquático. A pressão social limita e adoece. Ele teve um problema de cifose na coluna, de tanto andar curvado para esconder os “peitinhos”. Como ele, outros rapazes que hoje são modelos plus size também enfrentaram toda sorte de gordofobia.

— Hoje nós somos felizes. Eu não cheguei a fazer terapia, mas busquei grupos de pessoas que gostavam de gordinhos, fiz passeios, comecei a frequentar balada, me incluir, me relacionar. Fazendo amizade, me senti aceito e vi que isso era possível.

Ele nunca fez dieta para ser magro. Quando chegou aos 137 quilos, começou a ter muitos problemas de saúde. Partiu para a reeducação alimentar, mais jiu jitsu e musculação. Hoje, exibe 118 quilos na passarela. Na Fashion Weekend Plus Size, que pela primeira vez teve um desfile com modelos masculinos, Edu Rodrigues, o cara que não tirava a blusa na praia, desfilou de sunga.