Talento ou redes sociais: o que pesa mais na carreira dos famosos?

Influência na web tem pesado na escolha de artistas para trabalhos

Se muita gente não consegue viver sem redes sociais, há quem já sente saudades da época em que elas não existiam. Principalmente quando o ibope dos perfis passa a ser decisivos para se conseguir um trabalho.

A atriz Natallia Rodrigues revelou recentemente que foi vetada em um papel por não ser influente na web. Sem revelar se atuaria na TV, no teatro ou no cinema, a atriz ainda contou que um produtor sugeriui que ela comprasse um pacote para alavancar o número de seguidores em seu perfil do Instagram.

Com mais de 100 mil internautas acompanhando suas postagens, a artista recusou o conselho e disse “não achar certo comprar likes [curtidas] e seguidores”.

Mesma situação passou a atriz Simone Gutierrez: foi dispensada de um casting por não ter “engajamento com o público”.

Ao contrário disso, a atriz Sophia Abrahão já foi considerada a “salvação” de muito programa de televisão por ser uma das artistas mais influentes nas redes sociais.

A escritora e roteirista Rosana Hermann defende a tese de que “grandes empresas de mídia, que têm sua própria audiência, não se deixam pressionar pelo número de seguidores de seu elenco”. Porém, em alguns casos, a quantidade é sim um fator determinante.

— Quando uma empresa escolhe alguém por influência, eles estão pensando em como o artista pode “gerar” um novo público para eles.

Ela destaca, no entanto, que isso não deveria ser um fator determinante para a escolha de um ator, como o caso de Natallia.

— Se o casting busca ator ou atriz para um papel, a rede social desse profissional não deveria ser da conta do contratante. Mas, se há interesse nela, deveriam pagar a mais por isso, porque estarão usando não só a prestação de serviço profissional, como o poder de seu perfil pessoal.

Pessoal sim, mas de forma profissional

Luciana Corrêa, coordenadora do ESPM Media Lab (laboratório que investiga as transformações na comunicação e na cultura digital), reitera que as páginas pessoas dos artistas não deveriam pesar na vida profissional. Mesmo assim, muitos tiveram de se adaptar a outra realidade.

— Cada vez mais figuras públicas e celebridades aprendem a trabalhar suas redes sociais de forma profissional, mas causa estranheza o número de seguidores ser um fator determinante para a escolha de um papel.

Com a cultura dos “desesperados por likes”, a população tem recorrido cada vez mais às ferramentas de impulsão de páginas. Atualmente, algumas empresas virtuais colaboram com essa prática através do serviço de compra de seguidores e curtidas e da disponibilização de ferramentas avançadas para monitoramento das redes. Entretanto, ela alerta que é possível “desmascarar a aquisição”.

— Da mesma forma em que existem maneiras de comprá-los, há como descobrir se o aumento dos números ocorreu de forma orgânica (espontânea) ou não.

Quando as redes viram protagonistas

O cantor Biel, agora conhecido como Gah, sabe bem como as redes sociais podem ser prejudiciais. Em junho de 2016, internautas vasculharam as contas do músico e resgataram tuítes antigos dele. O conteúdo tinha comentários homofóbicos, racistas e ofensivos a apresentadores de TV.

João Vicente Castro é outro famoso que teve de lidar com publicações antigas ao criticar Silvio Santos em entrevista a Fabio Porchat. No programa, ele chamou o dono do SBT de “gênio e velho safado carismático”.

— É um cara que revolucionou tudo, mas é muito velha a cabeça dele. Acho homofóbico muitas vezes, acho machista, misógino, acho um monte de coisa. E não acho que seja tolerável porque ele tem 85 anos, não. Mude!

Após a exibição da gravação, suas postagens passadas foram resgatados por internautas. Entre elas havia comentários machistas, gordofóbicos e críticos à atriz Stephany Brito e ao cantor Luan Santana. Como resultado, o humorista apagou o perfil no Twitter.