Parte da maioria, endividado explica a luta para pagar conta de R$ 25 mil

Pesquisa mostrou que 58,4% das famílias brasileiras deram calote

O empresário Alexandre Certo faz parte da estatística de endividados no Brasil. A pesquisa divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), na última quarta-feira (4), mostra que 58,4% das famílias estavam com dívidas a pagar em setembro.

O empresário considera que, perto de outras pessoas, a dívida dele não é tão alta: o valor varia entre R$ 20 mil e R$ 25 mil.

Dono de uma fábrica de gelo e uma companhia importadora e exportadora, Alexandre adquiriu a dívida ao comprar um terreno, onde planejava conseguir morar no futuro.

No entanto, a queda do rendimento das empresas fez com que não conseguisse manter as parcelas em dia, deixando as contas no vermelho no final do mês.

— A gente já tentou negociar para poder reajustar as prestações, mas eles [a empresa de loteamento] não reduzem o valor nem alongam o prazo.

Alexandre conta também que, por mais que a dívida ainda não “atrapalhe muito o sono”, a melhor solução para saná-la é vender o terreno. O empresário conta que está “correndo atrás” para conseguir resolver a situação.

— Como estamos falando de um bem, uma vez que ele for vendido, vamos conseguir regularizar a situação.

Além da preocupação com a dívida, Alexandre não esconde a apreensão com o cenário econômico, que pode impactar a atividade das empresas que comanda. Consequentemente, o rendimento pessoal ao final do mês.

— As empresas ainda não estão endividadas, porque o caixa que temos está conseguindo manter a empresa. Mas isso tudo tem um fôlego, um prazo.

A pesquisa da CNC mostrou ainda que, além da inadimplência, a proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso também cresceu em setembro de 2017, passando de 24,6% para 25% das famílias — o maior patamar desde maio de 2010.