Quando seu filho está praticando bullying, o que fazer?

A zoeira, qualquer jovem estudante sabe, não tem limites. O problema é quando as brincadeiras, que poderiam ser até saudáveis, ganham um verniz de agressão e acabam condenando vítimas ao isolamento e gerando uma indisciplina por parte dos agentes.

“O bullying não acontece só uma vez, é uma agressão verbal ou física persistente, muito grave, que deixa marcas tanto físicas como psicológicas”, explica Ana Regina Caminha Braga, psicopedagoga e especialista em gestão escolar.

Em casos graves, o bullying pode levar a reações extremas, como a do aluno do colégio Goyases, em Goiânia, que abriu fogo no dia 20 de outubro contra os colegas de sala, deixando mortos os adolescentes João Pedro Calembo e João Vitor, e ferindo outras três pessoas.

A prática do bullying é comum principalmente no meio escolar e, por isso, tem ganhado um olhar específico dos profissionais da educação, com o objetivo de combater e instruir os professores, a equipe pedagógica e, principalmente, pais e responsáveis.

Ana Regina alerta que é importante olhar para os dois lados: o de quem sofre e o de quem pratica o bullying. “Os olhares estão sempre relacionados à vítima, mas, e o agressor? Como é realizado o acompanhamento e até mesmo as orientações? Esse sujeito precisa ser analisado pelo pedagogo, psicólogo e demais profissionais, caso necessário”, explica.

O agressor deve ser visto, de acordo com a especialista, como uma pessoa que tem uma satisfação em machucar, denegrir, depreciar e agredir o outro por vários motivos, sejam eles de cunho racial, por alguma deficiência, classe social, religião, etnia, gênero, entre outros. “Ele se sente confortável. É mais difícil detectar as vítimas, mas os agressores têm alguns traços que se modificam”, avalia.

O autor do bullying pode ficar mais agitado ou demonstrar momentos de raiva. Em algumas situações, são pessoas que já têm algum traço psicológico, ou já tem tiveram episódios de agressão verbal dentro de casa. “São sinais que acendem um alerta”, recomenda Ana Regina, para quem o agressor, muitas vezes, também sofre com o que faz.

Para a especialista, a escola deve agir imediatamente, pois para a instituiçãonão importa o motivo e, sim, como o agressor será tratado. Nesses casos, é relevante observar e acompanhar os alunos não só em sala, mas a todo momento dentro do ambiente escolar.

Após identificar o agressor, a orientação combinada entre psicólogos, psicopedagogos e família, devem ser seguidas rigorosamente. “O agressor nem sempre deixa explícito sua vontade ou atitudes em machucar o outro, seja ela verbal ou fisicamente. Os prejuízos psicológicos para a pessoa que pratica o bullying também devem ser tratados com máxima cautela. Precisamos sempre olhar os dois lados da moeda”, garante.