Diabetes mata 1 pessoa a cada 6 segundos. Obesidade aumenta risco.

Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em diabéticos

Mais de 415 milhões de pessoas vivem com diabetes no mundo, e esse número deve chegar a 642 milhões em 2040. Só no Brasil são 14,3 milhões. Apesar de ser possível controlar a doença, muitos diabéticos nem sequer sabem que têm a condição. Por ser silenciosa, muitos descobrem a condição quando o caso já é tão grave que é preciso amputar membros ou já desenvolveu cegueira ou doenças cardiovasculares. Nesta terça-feira (14), Dia Mundial de Diabetes, conversamos com especialistas para alertar sobre os sinais, o diagnóstico e como é possível tratar a doença silenciosa, que mata uma pessoa a cada 6 segundos no mundo.

O diabetes é uma doença que provoca o aumento de açúcar no sangue como resultado do mau funcionamento da insulina — hormônio responsável por transportar o açúcar para dentro das células do corpo. Há dois tipos de diabetes: o 1 e o 2, segundo a endocrinologista e professora adjunta de Endocrinologia e Metabologia da UFP (Universidade Federal do Paraná), Rosangela Réa.

— O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que leva à destruição das células do pâncreas. Geralmente, ela é descoberta na infância e adolescência e atinge cerca de 10% dos portadores. O início é repentino e os sintomas, graves, por isso, é necessária reposição imediata de insulina. Já no diabetes tipo 2, o paciente pode até produzir insulina, mas com algum defeito ou ela não é aproveitada de forma correta pelo organismo. Isso acontece em mais de 90% dos casos. Este tipo costuma aparecer depois dos 40 anos. Porém, devido aos maus hábitos, pacientes cada vez mais jovens estão sendo diagnosticados.

Como eu descubro a doença?

O diagnóstico do diabetes é simples e feito por meio testes de glicemia e exames de sangue, o que poderia ser feito no atendimento básico.

Ainda segundo Rosangela, o diabetes pode não ter sintomas em muitos casos, mas os sinais mais comuns são muita sede, vontade de fazer xixi várias vezes e perda de peso. “É preciso conscientizar a população de que o diabetes tipo 2 está aparecendo cada vez mais cedo por causa da obesidade e dos maus hábitos. Por isso, a incidência está aumentando cada vez mais”.

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Mata mais que AIDS

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em pacientes diabéticos do tipo 2. Sabe-se que 80% dos pacientes diabéticos morrem de doenças cardiovasculares e podem sofrer com outros problemas, como cegueira. 50% dos pacientes já sofrem com complicações quando descobrem a doença, ressalta a médica da UFP.

— O paciente pode ficar anos com a doença e, quando recebe o diagnóstico, já sobre com as complicações, que atingem tanto pacientes do diabetes tipo 1 quanto do tipo 2. Estudos mostram que a melhora do controle glicêmico reduz esses problemas, como risco de infarto, cirurgia de catarata, amputações etc.

Dados da Federação Internacional de Diabetes mostram que a doença mata mais que a AIDS, malária e tuberculose juntas. Em 2015, 5 milhões de pessoas morreram no mundo vítimas da diabetes, sendo 130 mil apenas no Brasil. Ou seja, uma pessoa morre a cada 6 segundos por causa da doença.

— No mesmo ano, o Brasil gastou R$ 21,8 bilhões com pacientes diabéticos e o 5º País que mais gasta com a doença. Grande parte dessas despesas ocorre por causa das complicações, que poderiam ser evitadas com o bom controle da doença. Estudos mostram que apenas 26,8% dos pacientes com diabetes tipo 2 controlam o índice glicêmico. No tipo 1, a porcentagem é de 10,4%.

Já os casos menos graves podem ser tratados com um clínico geral, por exemplo, mas o ideal é procurar um especialista, explica o endocrinologista e presidente da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), Luiz Turatti.

Com a evolução da doença, há necessidade de se fazer reajustes nos medicamentos, modificando o tratamento. Não é só tratar a doença, mas também as complicações, finaliza o presidente da SBD. E o tratamento inclui mudança de hábitos de vida, complementa Rosangela.