Mesmo com apoio de empresários, governo falha ao votar Previdência

Inabilidade do Planalto na articulação política permitiu análise só em 2018

Adiada para o mês de fevereiro de 2018, a votação da reforma da Previdência promete colaborar para que economia brasileira deixe definitivamente para trás a crise que assombrou o País nos últimos dois anos.

Esta é a avaliação dos principais setores da indústria e do empresariado brasileiro, que apostam na retomada do crescimento econômico e atração de investimentos com a aprovação da proposta.

Em nota na qual prevê um “fortalecimento da retomada da economia em 2018”, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) classifica como “essencial” que as reformas estruturais, como a da Previdência, sejam aprovadas para que o País conquiste o crescimento econômico desejado.

“É preciso seguir adiante, aprovando a reforma da Previdência e a tributária, criando condições para o crescimento sustentável da economia brasileira”, afirmou o presidente da entidade de classe, Paulo Skaf, durante reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na última quinta-feira (14).

Em um encontro com prefeitos e empresários também na semana passada, o presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, afirmou que é necessário entender que Previdência brasileira está estruturada de maneira “insustentável”.

“Precisamos trabalhar junto aos prefeitos para conscientizar parlamentares e população sobre a necessidade dessa mudança. Nós somos sócios na recuperação do Rio e também do Brasil”, disse.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) também apoia as mudanças no sistema de aposentadorias do Brasil. Para o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, a reforma é decisiva para atrair investimentos para o País.

“Se a reforma da Previdência não for aprovada, há o risco de o governo não fechar as contas, o que representa uma ameaça para o crescimento da economia”, destacou Andrade.

Inabilidade de Temer

A Reforma da Previdência só não foi votada em 2018 por falta de habilidade na articulação política. No final de novembro, o Palácio do Planalto — pressionado pelo PMDB paulista — decidiu trocar o ministro da Secretaria de Governo, cargo então ocupado por Antônio Imbassahy (PSDB), pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS), membro da tropa de choque de Temer.

No mesmo dia, depois de publicar o anúncio na conta oficial do governo no Twitter, o governo voltou atrás e manteve o tucano.

No início de dezembro, porém, o próprio Imbassahy entregou o cargo e foi substituído por Marun. O defensor ferrenho do governo ganhou do próprio Michel Temer a incumbência de trabalhar 18 horas por dia para aprovar a mudança nas regras da aposentadoria.

Além disso, o governo patinou na tarefa de agregar partidos da base para votar a Reforma da Previdência ainda em 2017.

O PSDB, partido que ainda não desembarcou do governo, permanece na base aliada e possui dois ministérios, já fechou questão e decidiu apoiar as mudanças das regras das aposentadorias.

O presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, indicou, na última sexta-feira (15), que os parlamentares do partido esperavam por uma votação do tema ainda em 2017.

“O PSDB vai votar a favor independente de data. Votaria agora e votará se for em fevereiro. É uma reforma necessária. Precisamos caminhar para um regime único de previdência, não há razão para tantas distinções”, afirmou.

O tucano chegou a afirmar, em agenda no interior de São Paulo no último sábado (16), que os deputados que votassem contra a Reforma da Previdência seriam punidos pelo partido. Isso quer dizer que os 46 parlamentares da sigla devem dizer “sim” à proposta.