Em SP, espera por vacinação em posto público chega a nove horas

A dose na rede particular tem preços entre R$ 160 e R$ 180

Mil e doze. Esse é o número de pessoas que teriam chegado antes do microempresário Eduardo Silva, de 32 anos, à UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila das Mercês, no Sacomã, zona sul da capital paulista. Entre a chegada, às 6 horas, e a saída, pouco depois das 15 horas, ele esteve acompanhado da mulher, da cunhada e de duas crianças de 4 anos (filha e sobrinho). Como não esperavam que “ia demorar”, tiveram de atrasar o almoço. “Um monte de gente estava passando e vendendo, comprei algumas coisas para beliscar.”

Também na zona sul, na UBS Chácara Santo Antônio, o técnico em edificações Acrísio Santos, de 50 anos, diz ter chegado ao local às 10 horas e saído apenas às 17 horas. “As organizações são malfeitas, existem muitas pessoas cortando fila”, reclamou, destacando que o espaço nem distribuiu senhas. A reportagem ainda encontrou filas em postos de todas as áreas, mesmo naquelas em que não há recomendação para vacinação.

Procurada, a SMS (Secretaria Municipal da Saúde) de São Paulo ressaltou que as unidades citadas não fazem parte da campanha para vacinação preventiva, que agora tem como público-alvo todos os distritos da zona norte – onde 90 UBSs aplicam vacina; três distritos da zona Sul (Parelheiros, Marsilac e Jardim Ângela), além de parte do Capão Redondo. Na zona oeste, há recomendação só para moradores do Distrito Raposo Tavares (em três postos).

Com a grande procura, quem não se vacinou planeja madrugar nos próximos dias. A vendedora desempregada Jessica Rafael, de 26 anos, pretende ir à UBS Vila Nova Jaguaré, distrito de Jaguaré, zona oeste, por volta das 5 horas desta quinta-feira (18). Ela chegou a procurar o local em outros momentos, mas por estar com o filho de 1 ano não conseguiu esperar. “Não quero tomar essa dose fracionada”, diz.

Já a vendedora Daniela Oliveira, de 35 anos, procurou o Hospital Rede Hora Certa da Penha, na zona leste, mas desistiu diante da fila e porque seus filhos (de 3, 11 e 16 anos) também teriam de esperar na rua. “Como trabalho no centro é mais tranquilo, mas, mesmo assim, tenho medo”, comenta.

Rede particular

A rede Drogasil anunciou que oferecerá a vacina a seus consumidores em até 16 filiais nos próximos meses. Agora, a unidade da rua Pamplona, nos Jardins, venderá doses só para adultos. A aplicação de vacinas por drogarias foi regulamentada em dezembro.

Segundo a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácia e Drogarias), além da Drogasil, já aplicam vacinas a Drogaria Araújo e a Nossa Drogaria Caxias, em Minas e no Rio, respectivamente.

O presidente da ABCVAC (Associação Brasileira de Clínicas de Vacinação), Geraldo Barbosa, afirma que há falta da vacina contra a febre amarela na rede particular de todo o País. Segundo ele, a demanda pela imunização aumentou em 300% nos últimos meses. O fabricante Sanofi Pasteur, principal fornecedor, diz que “continua buscando novas alternativas para suprir a demanda das clínicas”.

A dose na rede particular tem preços entre R$ 160 e R$ 180 e a maior procura ocorre nos Estados de São Paulo, Rio e Bahia, conforme Barbosa. “Mas a demanda aumentou em todos os Estados.”